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Em cada uma dessas situações, existe um desafio em comum: reconhecer quando aquilo que estamos vendo merece atenção.
“É só uma fase”: quando olhar com mais atenção para o adolescente?
A adolescência é marcada por transformações físicas, emocionais e sociais. O jovem passa a buscar mais autonomia, questiona regras, muda a forma de se relacionar com a família e pode apresentar oscilações de humor.
Por isso, para muitos pais, perceber a diferença entre mudanças próprias desse período e sinais de sofrimento emocional pode ser difícil.
Um caminho é observar três aspectos: duração, intensidade e impacto na rotina.
Tristeza ou irritabilidade persistentes, isolamento, perda de interesse por atividades que antes eram importantes, alterações significativas no sono ou no apetite e queda no rendimento escolar merecem atenção, especialmente quando começam a interferir na vida do adolescente.
Nesse momento, aproximar-se é mais importante do que tentar chegar rapidamente a uma conclusão. Perguntar como o adolescente está, criar espaço para que ele fale e escutar sem minimizar o que sente podem ajudar a família a perceber mudanças que nem sempre aparecem de forma explícita.
Como reforça a psicóloga Roxanne, antes de concluir que determinado comportamento é “só uma fase”, vale observar como aquele adolescente vem se sentindo e funcionando ao longo do tempo.
Quando a exaustão vira parte da vida adulta
Na vida adulta, existe outro tipo de normalização.
Uma jornada de 40 horas semanais representa cerca de 2.080 horas de trabalho por ano. E essa conta ainda não contempla deslocamentos, mensagens respondidas fora do expediente, tarefas domésticas e todas as outras responsabilidades que continuam depois que o trabalho termina.
Nesse contexto, acordar cansado, passar o dia esperando pela hora de ir embora e chegar em casa sem disposição pode começar a parecer simplesmente parte de ser adulto.
O problema aparece quando outras mudanças passam a acompanhar essa exaustão.
A pessoa deixa de encontrar amigos, perde o interesse por atividades que antes gostava, percebe alterações no sono ou no apetite, encontra dificuldade para se concentrar e passa os finais de semana tentando recuperar uma energia que não retorna. Ainda assim, na segunda-feira, levanta e trabalha novamente.
A depressão não impede necessariamente que uma pessoa continue cumprindo prazos, participando de reuniões e assumindo responsabilidades. Por isso, continuar funcionando não deve ser usado como único parâmetro para avaliar como está a saúde mental.
E essa conversa não pode ser reduzida a recomendações para organizar melhor a rotina, praticar exercícios ou reservar algumas horas para o lazer. Esses cuidados são importantes, mas existe um limite para o que estratégias individuais conseguem compensar diante de uma rotina que permanece exaustiva.
A psicoterapia pode oferecer um espaço para compreender o que está acontecendo e falar sobre aquilo que muitas vezes foi incorporado à rotina sob o nome de “cansaço da vida adulta”.
Quando os pais percebem que o filho precisa de ajuda
Reconhecer uma mudança é apenas uma parte do processo. Para algumas famílias, o passo seguinte também vem acompanhado de receios.
“Será que meu filho realmente precisa de um psiquiatra?”
“Ele vai precisar tomar medicação?”
“Será que fiz alguma coisa errada na criação?”
Essas dúvidas podem fazer com que a busca por avaliação seja adiada.
A psiquiatra Dra. Nadine Fonseca explica que a Psiquiatria Infantil não se resume à prescrição de medicamentos. A avaliação considera a criança ou o adolescente de forma ampla e, conforme cada caso, o cuidado pode envolver psicoterapia, orientação à família, acompanhamento escolar e outras especialidades.
A medicação é uma possibilidade terapêutica quando existe indicação médica, e não uma consequência automática de procurar um psiquiatra.
Também é importante retirar dos pais a ideia de que buscar esse acompanhamento representa uma falha na criação. Questões relacionadas à saúde mental e ao neurodesenvolvimento envolvem diferentes fatores biológicos, genéticos e ambientais e precisam ser compreendidas individualmente.
Procurar ajuda permite justamente entender melhor o que está acontecendo antes de decidir quais serão os próximos passos.
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Presença, escuta e acompanhamento
Na adolescência, pode ser difícil perceber quando deixou de ser apenas uma fase. Na vida adulta, a exaustão pode ser normalizada durante meses ou anos. Dentro das famílias, dúvidas e receios podem atrasar uma conversa ou uma avaliação.
Por isso, o Setembro Amarelo também pode ser um momento para prestar atenção ao que vem sendo naturalizado.
Na Clínica Acolher, contamos com profissionais de diferentes especialidades para o acompanhamento da saúde mental de crianças, adolescentes e adultos, respeitando as necessidades de cada pessoa e de cada fase da vida.
Se você percebe mudanças persistentes em você ou em alguém próximo, entre em contato com a nossa equipe para conhecer as possibilidades de acompanhamento.
Em situações de risco imediato ou pensamentos de suicídio, procure atendimento de urgência. O CVV também oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia.




